A esquerda encontrou um Sérgio Moro para chamar de seu |
A esquerda encontrou um Sérgio Moro para chamar de seu
Quem viu Sérgio Moro acabrunhado, macambúzio e borocoxô ao lado de Flávio Bolsonaro tentando explicar suas relações com Daniel Vorcaro sabe que ainda há um certo constrangimento nele ao virar a chave de juiz implacável contra a corrupção para um político mediano da direita-centrão.
Para seus apoiadores, nos primeiros meses da Lava Jato, Moro foi um São Miguel Arcanjo comandando as milícias celestes contra o mal. Para seus críticos, um Javert de "Os Miseráveis", justiceiro inflexível que perseguia Jean Valjean, motivado por um legalismo obsessivo e insensível que ignorou as reais e até nobres motivações de seu alvo preferencial.
O ponto de inflexão acontece quando Moro condena Lula à prisão, em julho de 2017, decisão confirmada por instâncias superiores no ano seguinte, em meio à campanha presidencial. A acusação abstrata de que a república de Curitiba "criminalizava a política" agora tinha um roteiro mais novelesco e conspiratório: era tudo um plano contra a volta de Lula à presidência.
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O próprio Lula gravou pronunciamento no dia seguinte à condenação no caso do triplex, dizendo que queriam que ele fosse tirado do jogo político, "senão o golpe [versão petista para o impeachment legal de Dilma Rousseff] não fecha". Gleisi Hoffmann defendeu que a condenação era uma "tentativa de inviabilizar [a candidatura de Lula]" em 2018. Para Fernando Haddad, Moro "usou o cargo de juiz para começar sua vida pública".
No último sábado, Lula subiu ao palco ao lado do desembargador Ricardo Couto de Castro, governador interino do Rio de Janeiro. Pediu, em alto e bom som, que ele usasse a caneta para "prender todos os ladrões que governaram esse........