A língua da COP e as árvores de São Paulo |
Jornalista e quadrinista, é ombudsman da Folha. Já foi secretária-assistente de Redação, editora de Diversidade e editora-adjunta de Especiais e Ilustrada
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Um dos grandes desafios da cobertura ambiental e de eventos como a COP30, a Conferências das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, é atingir os leitores "comuns" (ou seja, que não são políticos, grupos de pressão ou partes dos debates). O jornal às vezes até tenta, mas não é tarefa simples.
Temas ambientais costumam ter pouco apelo (não raro, naufragam na audiência), e a linguagem tem tudo a ver com isso. A Folha publicou uma boa análise de seus repórteres sobre como, na COP, a "linguagem vaga, inflada, pobre, confusa e imprecisa pode ocultar interesses de emissores de gases-estufa". Mas falta reconhecer que a naturalidade com que o jornalismo costuma reproduzir o hermetismo desse discurso é parte do problema.
Há títulos, textos e assuntos quase impenetráveis para quem está fora da cobertura. A Folha chegou a colocar no ar um glossário sobre a COP30. É uma iniciativa razoável, mas não basta. Contestar o vai-não-vai linguístico e ser intransigente com sua tradução plena é fundamental.
Esse não é, porém, um vício restrito aos assuntos climáticos. Jargões e palavreado sinuoso também são pragas que atacam as coberturas política, econômica ou qualquer outra em que o "burocratês" consiga se instalar.
Enquanto as piruetas linguísticas dominavam o megaevento internacional no........