Daniel Oliveira considera que o acordo de concertação social assinado este domingo pelo Governo e pelos parceiros sociais é mais favorável para as empresas. "António Costa escolheu as vítimas desta crise", condena o jornalista no seu espaço habitual de comentário na TSF.

Se, por um lado, "chovem subsídios e medidas de emergência para as empresas", por outro "os trabalhadores foram presenteados com uma mão cheia de nada, perda de rendimento real e um aumento de referencial sem qualquer garantia de cumprimento, já que não temos um reforço da capacidade de negocial."

"Em média, este ano, os aumentos da função pública ficaram muitíssimo abaixo da inflação - foram menos de 1% para uma inflação prevista, e otimista, de 7,4%. Como se esperava, esta perda não será compensada. O Governo propõe um aumento médio de 3,6%, fiando-se na previsão de 4% de inflação e ignorando as perdas deste ano. Mesmo assim, abaixo dos 5,1% propostos como referencial para o privado, como se fosse um recado para os patrões fazerem letra morta do acordo sobre rendimentos acabado de assinar."

Ouça aqui a opinião na íntegra

No caso da função pública, aponta Daniel Oliveira, o Governo tentou salvaguardar os salários baixos - os aumentos serão entre 2 a 8%, o que corresponde a mais 52 euros para 90% dos funcionários públicos. "Não é má vontade, mas quando temos um primeiro-ministro que garante que a recessão não chegará a Portugal, não podemos dar grande crédito a promessas baseadas em pressupostos improváveis, quando as coisas forem aplicadas é quase certo que a situação será pior do que o otimismo de Costa prevê."

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Daniel Oliveira lembra que "Portugal é o segundo país da Europa, logo atrás do Chipre, com maior desproporção entre salários mais baixos e mais altos, uma realidade que resulta da desigualdade existente no privado".

"Na administração pública, com carreiras reguladas e os salários das profissões de topo indexados ao do Presidente, a desigualdade salarial está a par com o resto da Europa." Trabalhar no Estado só é atrativo para os menos qualificados, que estão na base salarial. No caso de trabalhadores especializados, como médicos e quadros superiores, o privado paga sempre melhor.

Nos anos da troika, o poder de compra dos trabalhadores do privado caiu cerca de 12%, enquanto o do Estado caiu mais de 22%, uma diferença que nunca foi recuperada, destaca Daniel Oliveira. Foi possível recuperar o número de funcionários públicos que havia em 2009, mas enquanto nesse ano o Estado gastava 14% do PIB, agora gasta cerca de 11%.

Quando muitos falam de um suposto "privilégio" dos funcionários públicos, o objetivo "é criar pressão política para degradar a carreira pública e assim, retirar a competências ao Estado, tornando mais fácil da privatização de cada vez mais funções".

"O Governo pede aos privados para aumentarem salários acima do que o próprio aumenta", condena, "o que garante, a todos, brutais cortes de salários real enquanto a produtividade aumenta."

Texto: Carolina Rico

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Os patrões não olham para o que o Governo diz, mas para o que o Governo faz

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11.10.2022

Daniel Oliveira considera que o acordo de concertação social assinado este domingo pelo Governo e pelos parceiros sociais é mais favorável para as empresas. "António Costa escolheu as vítimas desta crise", condena o jornalista no seu espaço habitual de comentário na TSF.

Se, por um lado, "chovem subsídios e medidas de emergência para as empresas", por outro "os trabalhadores foram presenteados com uma mão cheia de nada, perda de rendimento real e um aumento de referencial sem qualquer garantia de cumprimento, já que não temos um reforço da capacidade de negocial."

"Em média, este ano, os aumentos da função pública ficaram muitíssimo abaixo da inflação - foram menos de 1% para uma inflação prevista, e otimista, de 7,4%. Como se esperava, esta perda não será........

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