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Regionalização: a nobre arte de empurrar os problemas com a barriga

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12.12.2019

É uma arte muito portuguesa. Demorou mais de 500 anos a desenvolver, mas - acho que é seguro dizer-se -, se não somos os melhores do mundo, devemos andar lá perto. Perante um problema muito concreto e definido, reconhecido por todos, amplamente estudado, discutido e analisado, nós optamos por... não o resolver. E cada um empurra como pode: quem tiver a barriga maior que faça uso dela; quem não tem, é soprar com toda a força que o problema é pesado e não é fácil empurrá-lo para longe. Não vá ele ter solução e termos de ser nós a aplicá-la.

A regionalização, a descentralização e a desconcentração - que são três coisas muito diferentes - são três bons exemplos de problemas que o país insiste em não resolver. Provavelmente, o primeiro até não existia se os outros dois fossem resolvidos. Mas nós, não! Se é para não resolver, não resolvemos nenhum. Criem-se mais umas comissões, façam-se mais uns estudos, organizem-se mais umas conferências que, enquanto o pau vai e vem, folgam as costas. E assim se prova, mais uma vez, que esta é a melhor forma de não se fazer nada.

Há 11 anos, depois do chumbo no referendo à regionalização, o poder político prometeu ao país que nada ficaria como dantes. Que a descentralização iria mesmo avançar. A desconcentração de serviços do Estado central seria uma realidade. E que, no final, o país não iria pensar mais na criação de regiões administrativas porque elas seriam, simplesmente, desnecessárias. Acontece que nos mentiram.........

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