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Documento confidencial mostra que Cultura vai continuar pregando ideais nazistas mesmo sem Roberto Alvim

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18.01.2020

Roberto Alvim foi demitido da Secretaria Especial da Cultura após copiar um discurso do chefe da propaganda nazista, Joseph Goebbels. Mas isso não quer dizer que os colegas do dramaturgo, que continuam trabalhando e orientando a política cultural do país, pensem diferente dele.

O Intercept teve acesso a um e-mail confidencial enviado na última terça-feira a diretores de entidades como a Agência Nacional do Cinema, a Ancine, e a Fundação Nacional das Artes, a Funarte. No texto, um assessor do secretário-adjunto especial de Cultura José Paulo Martins, em nome de Martins, expõe detalhadamente os mesmos ideais proclamados por Alvim e que levaram à queda do dramaturgo. O e-mail foi disparado dois dias antes do vídeo que cita frases de Goebbels.

Nesta sexta, Martins foi o escolhido para ocupar interinamente o cargo máximo da secretaria após a queda de Alvim. Ele era o número dois da área desde o início do governo Bolsonaro. Também já ocupara o cargo de secretário entre agosto e novembro do ano passado, após a demissão de Henrique Pires, que saiu depois de dizer que não iria “bater palmas pra censura”.

No e-mail, o então assessor e agora secretário interino pede aos interlocutores que organizem “objetivos e ações para 2020″ levando em consideração alguns pontos prioritários: o nacionalismo, a exaltação à família, a “profunda ligação com Deus” e a “luta contra o que degenera”. Este último tópico é uma associação direta ao nazismo, que tinha o conceito de “arte degenerada” – aquela considerada imoral e perigosa por não seguir os parâmetros do regime.

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© The Intercept