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Ricardo Vélez tem razão: não existe ‘universidade para todos’ no Brasil

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16.02.2019

Em entrevista recente, o atual ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez disse:

“A ideia de universidade para todos não existe… As universidades devem ficar reservadas para uma elite intelectual, que não é a mesma elite econômica [do país].”

O ministro está certo, “universidade para todos” é uma quimera, particularmente no caso brasileiro. Em nosso país, 52% das pessoas entre 25 e 64 anos, segundo dados da OCDE, não têm sequer o ensino médio completo. Na Argentina e no Chile, essa cifra cai para 39% e 35%, respectivamente. Se comparamos com a média dos países da OCDE (grupo de países ricos), a proporção brasileira é quase o dobro registrado por eles.

Ou seja, o ministro poderia ter dito que “a ideia ensino médio para todos não existe”, pois essa é a realidade do Brasil. E mesmo nessa população dos que têm ensino médio completo, o nível médio de qualificação é extremamente baixo. Em 2015, mais de 23 mil estudantes brasileiros participaram do exame PISA, que avalia o desempenho de estudantes em ciências, matemática e leitura, em 70 países. Os estudantes brasileiros têm desempenho sofrível nas três áreas. Ficamos em 66° em matemática, 63° em ciências e 59° em leitura.

Também de acordo com a OCDE, 15% da população brasileira entre 25 e 34 anos tem curso superior, enquanto nos países ricos é de 41%. O Brasil precisa, portanto, passar por uma revolução no acesso ao ensino superior para atingir o patamar médio dos países ricos. Mas nosso ministro tem a pachorra de afirmar que a educação deve ser reservada para “uma elite intelectual”.

Educação superior é ainda uma mercadoria rara entre os jovens adultos brasileiros.

Educação superior é ainda uma mercadoria rara entre os jovens adultos brasileiros. Mas o ministro parece achar 15% um valor excessivo. Talvez ele deseje o retorno para os patamares de 2000, quiçá os de 1960, quando o ensino superior era um caviar apreciado por apenas uma meia dúzia de gatos pingados, em termos estatísticos.

Das duas uma: ou Vélez desconhece os números – o que mostra ignorância – ou quer condenar uma fração ainda maior de nossos........

© The Intercept