O Dilema das Pescas

A escalada do conflito entre o Irão, Israel e os Estados Unidos, intensificada a 28 de fevereiro de 2026, está longe de ser um fenómeno distante para Portugal. No setor das pescas, os efeitos fazem-se sentir de forma direta e imediata, sobretudo através do aumento dos custos energéticos, da crescente instabilidade nas cadeias logísticas e, de forma mais estrutural, da exposição a riscos ambientais globais.

A convergência entre a degradação ambiental provocada pelo conflito no Médio Oriente, a herança económica da guerra na Ucrânia e as fragilidades estruturais do setor em Portugal cria uma verdadeira “tempestade perfeita” para a segurança alimentar e a sustentabilidade das pescas.

Num setor estruturalmente dependente de combustível, qualquer perturbação no mercado energético traduz-se rapidamente em pressão económica. A instabilidade no Estreito de Ormuz, ponto de passagem de cerca de 20% a 25% do petróleo mundial, desencadeou um aumento significativo dos custos operacionais. Não se trata apenas de volatilidade, é uma alteração das condições de funcionamento do setor.

As previsões confirmam essa tendência. O Banco Mundial aponta para uma subida de 23,6% nos preços da energia em 2026, atingindo máximos desde a guerra na Ucrânia. Em paralelo, o barril de Brent situa-se atualmente no intervalo de 100 a 114 dólares, acima dos 69 registados em 2025. A atividade económica na Europa já reflete este impacto, tendo caído para 48,6 em abril, o nível mais baixo em 18 meses, com os custos de produção a atingirem máximos........

© SOL