A guerra que chega ao prato |
Há crises que revelam vulnerabilidades. E depois há crises que as tornam impossíveis de ignorar. A escalada militar no Médio Oriente, envolvendo o Irão, Israel e os Estados Unidos desde o final de fevereiro de 2026, pertence claramente à segunda categoria. Mais do que um conflito regional, está já a desencadear uma crise logística e energética com impactos diretos e mensuráveis na agricultura e na alimentação na Europa. E Portugal não é exceção.
O momento é particularmente sensível. Em plena sementeira da primavera, o setor agrícola enfrenta uma “tempestade perfeita”. O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 33% do comércio mundial de fertilizantes, transformou uma tensão geopolítica num choque sistémico. A dependência europeia é estrutural: o Golfo Pérsico assegura cerca de 49% das exportações globais de ureia e 30% das de amoníaco, essenciais à agricultura moderna.
Os efeitos foram imediatos. Em poucas semanas, o preço da ureia subiu mais de 40%. Na Alemanha, regiões como a Baixa Saxónia registaram aumentos de 15% no salitre de amónio e cal num mês. Ao mesmo tempo, o gás natural, que é responsável por cerca de 80% dos custos de produção de fertilizantes azotados, passou de 32 para quase 52 euros por megawatt-hora. Não são........