Novo Aeroporto de Lisboa – 20 mil trabalhadores e expansão urbana |
1. Segundo o ministro das Infraestruturas: «Nem um euro do Orçamento do Estado será utilizado para o novo aeroporto». O ministro alimenta equívoco que urge desmontar:
– Refere apenas o ‘Perímetro da Concessão Aeroportuária’ a cargo da Vinci (gare, pistas, segurança, rent a car, hotéis, estacionamento);
– escamoteia os custos fora deste Perímetro de que conhecemos os €300+ milhões para Novo Centro de Tiro da Força Aérea e, sobretudo, o que descrevemos a seguir.
2. Governo, oposição e opinião publica continuam a ignorar que:
– A partir de 2030, milhares de trabalhadores ocupam estaleiro em ‘urbanização prévia’;
– a partir de 2037, cerca de 20.000 pessoas trabalham no Novo Aeroporto:
– um aeroporto atrai atividades para a sua proximidade em número crescente;
– esta movimentação de pessoas e empresas exige ‘urbanização nova’ para além do já referido ‘Perímetro da Concessão Aeroportuária’.
A ‘urbanização prévia’ para milhares de trabalhadores exige, para além de alojamento diverso, infraestruturas publicas de água, saneamento, rodovia e um ‘centro social’ adequado. Um bom planeamento faz destas infraestruturas a base das da ‘urbanização nova’.
O Governo imagina que tudo isto acontece sem despesa no Orçamento?
3. Nos cerca de 20.000 trabalhadores há três grandes grupos:
– Os indiferenciados que poderão ser contratados na Margem Sul em percentagem que desconhecemos e exigem rede de transportes públicos até ao Aeroporto;
– os qualificados que as grandes empresas não querem perder, desde a TAP (pessoal de cabine, cockpit e manutenção), ANA e outras companhias aéreas – vemos mal a pegada ecológica de um ir e vir quotidiano da residência ao Aeroporto;
– as atividades que se instalem na zona de atração do aeroporto, para além da porventura irrealista Cidade Aeroportuária proposta pela Comissão Técnica Independente.
O sucesso do aeroporto está ligado à capacidade de atrair estas pessoas e empresas, para além do seu negócio de companhias aéreas e passageiros.
4. O Governo com transparência e consenso deve tomar duas decisões urgentes que tudo condicionam:
– Aprovar ‘macro plano’ (master plan) em que se insere o ‘Perímetro da Concessão Aeroportuária’ e a ‘urbanização nova’, sem o qual compromete o sucesso pleno do aeroporto;
– optar pelo modelo da Parque Expo no licenciamento (alguém imagina o licenciamento urbano concentrado na CM de Benavente?) e dinâmica urbana do Parque das Nações, assegurando excelentes infraestruturas urbanísticas financiadas por mais-valia imobiliária, fruto de transformar solo agrícola em solo urbano ‘prime’.
Evitamos o pior cenário, que parece estar a ser preparado:
– Favorecer as decisões de proprietários de terrenos e seus serviços de apoio, desde urbanistas a ‘influencers’, em processo que compromete o futuro ao repetir ‘o pior do Algarve (a urbanização dispersa), garantindo aqui e ali espaço urbano qualificado entremeado com o desqualificado, falta de garantia das infraestruturas e máximo de mais valias capturadas pelo privado.
Não excluímos a expansão de perímetros urbanos existentes (Alcochete, Seixal etc.), mas tal insere-se no ‘modelo Algarve’.
5. Não é o ‘quem viver, verá’!
É o ‘quem vive tem direito a ver’!
E exige resposta a pergunta obvia: quem ganha e vai ganhar com o deixar andar em curso?