Podemos esperar, mas sai caro

Há quem defenda que, como Portugal representa uma parcela diminuta das emissões mundiais, não vale a pena agir porque tudo o que fizermos terá um impacto limitado enquanto a China, os Estados Unidos ou a Índia não reduzirem a pegada. Ainda que a premissa seja verdadeira, o argumento assenta numa conclusão errada. Portugal, só por si, não resolverá o problema, mas esta forma de raciocinar confunde o impacto que temos sobre o clima global com o interesse que temos em preparar o futuro.

Mais de metade da população mundial vive em cidades onde se concentram o consumo de energia, cerca de 70% das emissões de dióxido de carbono associadas à energia, o trânsito e os maiores riscos provocados pelo calor extremo e pelas cheias. É também nas cidades que os prejuízos acabam por ser pagos pelos orçamentos públicos, pelas famílias e pela perda de atividade económica. Quando uma rua fica inundada, uma vaga de calor torna um bairro insuportável ou uma rede de drenagem entra em colapso, pouco interessa saber qual foi a contribuição portuguesa para o aquecimento global. O problema está à nossa........

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