O mestre dos afetos

Vamos ter saudades de Marcelo Rebelo de Sousa. Sem duvidar do empenho e das qualidades do seu sucessor na Presidência da República, sei que comparto este sentimento de orfandade com muitos portugueses.

Sem desprimor para os antecessores, Marcelo assumiu uma relação intensa e afetiva com os portugueses. Tendo vivido em países com regimes monárquicos, Reino Unido e Noruega, sempre vi em Marcelo um rei: quer pelo seu poder de sedução, quer sobretudo pelos laços de confiança que logrou construir, mesmo com pessoas que dele discordaram ou que nunca nele votaram. Depois, porque soube combinar a sua elegância e bom gosto, a sua primorosa educação e a sua sensibilidade cultural com um apurado instinto político. Esse instinto, que exerceu com maquiavelismo, deu-lhe um poder maior do que o que decorre constitucionalmente do cargo. Na relação que com ele mantiveram, António Costa e Luís Montenegro terão certamente entendido Kierkegaard: «Têm vergonha de obedecer ao rei........

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