Fiat justitia

Escrevi há dias sobre circunstâncias em que a Justiça nos surpreende. E estava a completar a crónica quando li que «o Tribunal da Relação do Porto decidiu ordenar a devolução de dinheiro apreendido a um homem condenado por tráfico de droga, não tendo sido provada a origem ilícita do dinheiro». Como não tenho por hábito ler os chamados ‘casos de polícia’, resolvi inteirar-me do sucedido recorrendo ao Jornal de Notícias, onde encontrei uma profusão de artigos sobre o processo em causa. Cito alguns desses artigos para que o leitor não pense que está a ler uma novela de Mário Zambujal.

Para o Ministério Público (MP), o traficante liderava uma rede criminosa que cultivava canábis em Espanha, «que depois preparava, armazenava e vendia no Porto, com a ajuda da irmã e de outro cúmplice. A atividade ter-lhe-á rendido centenas de milhares de euros e financiado o seu estilo de vida de luxo, marcado pela posse de carros de gama alta, como um Ferrari 488 GTB. Descobriu-se que a casa da irmã servia como base operacional, onde a droga era preparada e embalada........

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