Cinco estrelas |
Há dias saí de um Uber após vinte minutos de viagem. Desejei boa tarde, fechei a porta com um cuidado cerimonioso e dei três passos no passeio. O telemóvel vibrou no bolso antes de eu chegar à esquina. ‘Como foi a sua viagem?’.
Tinha sido uma viagem extraordinariamente normal. O carro cheirava a um perfume genérico de pinho, a rádio dava uma música sem história e eu e o motorista tínhamos trocado a quantidade de palavras suficiente para dois estranhos não se odiarem. ‘Cinco estrelas, claro!’. Durante vinte minutos aquele homem foi o meu condutor; nos dez segundos seguintes, eu transformei-me no seu juiz supremo.
É provável que o telemóvel dele lhe tenha feito a pergunta espelhada. ‘Como foi o passageiro?’. Também espero cinco estrelas.
Foi então que percebi que não tinha sido apenas um passageiro educado. Tinha sido um passageiro em avaliação. Sem pensar nisso, ajustara o tom de voz para um registo simpático, evitara qualquer gesto que pudesse parecer inconveniente e fechara a........