Estado da Nação: o debate que esqueceu a Nação |
O último Debate do Estado da Nação conseguiu um feito raro: falar durante horas sobre Portugal sem discutir o país que queremos construir.
No final, cada bancada declarou a sua vitória. O Governo exibiu indicadores económicos. A oposição respondeu com críticas, problemas e casos políticos. Houve estatísticas, apartes, indignações e aplausos. Houve confronto político. Faltou, porém, discutir aquilo que verdadeiramente importa: a Nação.
Talvez esta seja a imagem mais fiel do momento que vivemos. Não apenas da política, mas da forma como o debate público se foi transformando. Vivemos cada vez mais concentrados na urgência e cada vez menos dedicados ao essencial. A polémica ocupa o espaço da estratégia. O ciclo noticioso substitui o pensamento de longo prazo. O imediato vence, sistematicamente, o importante.
Todos os anos repetimos o mesmo ritual. O Governo apresenta resultados. A oposição desmonta-os. Uns falam do crescimento económico, do défice e do desemprego. Outros lembram a habitação, a saúde, a educação ou a justiça. Tudo isto merece discussão. Mas o estado de uma Nação nunca caberá apenas numa sucessão de indicadores.
O verdadeiro estado de um país mede-se também pela confiança que inspira, pela qualidade das suas instituições, pela capacidade de executar reformas e, sobretudo, pela existência de um projeto coletivo. E é precisamente essa conversa que Portugal parece ter deixado de fazer.
Portugal não sofre de falta de recursos. Sofre da ausência de um projeto nacional capaz de transformar esses recursos em desenvolvimento. Não lhe falta talento, conhecimento, capacidade empreendedora ou investimento. Falta-lhe uma visão estratégica que defina prioridades, dê continuidade às reformas e alinhe o Estado, o setor privado e a sociedade em torno de objetivos comuns.
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