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A reforma laboral que continua por fazer

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26.06.2026

Há algo de estranho na forma como Portugal discute alguns dos seus problemas mais persistentes. 

Há décadas que falamos de produtividade. Há décadas que falamos de salários. Há décadas que falamos da dificuldade em reter talento e da necessidade de tornar a economia mais competitiva. Mudam os governos, mudam as circunstâncias e mudam as prioridades políticas. Os diagnósticos, porém,  

permanecem surpreendentemente semelhantes. 

Talvez seja precisamente essa a questão que o debate em torno da reforma laboral nos deveria obrigar a enfrentar. Não apenas saber se esta proposta era melhor ou pior do que as anteriores, mas compreender porque continuamos a regressar aos mesmos problemas sem conseguir produzir mudanças suficientemente profundas para alterar a trajetória do país. 

Portugal precisa de uma verdadeira reforma laboral. Não de uma reforma contra os trabalhadores. Não de uma reforma contra as empresas. Precisa de uma reforma séria, negociada e capaz de responder ao problema essencial que enfrentamos: como tornar o mercado de trabalho mais produtivo, mais competitivo e mais apto a atrair e reter talento. 

Mas talvez a discussão sobre a reforma laboral revele uma questão ainda mais profunda. Talvez a maior dificuldade de Portugal já não esteja em identificar os seus problemas. Talvez esteja na crescente dificuldade em construir os consensos necessários para os resolver. 

Esse debate é urgente. Portugal continua a pagar salários baixos, a perder jovens qualificados e a viver com um tecido empresarial excessivamente fragmentado, onde predominam micro e pequenas empresas com dificuldades de escala, capitalização, gestão e inovação. O desafio não é apenas flexibilizar relações laborais. É criar condições para que as empresas possam crescer e para que os trabalhadores possam progredir. É ligar salários à produtividade. É investir em qualificações, organização do trabalho, formação contínua, inovação tecnológica, gestão profissionalizada e estabilidade contratual. É construir um........

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