A morte artificialmente inteligente

Se no matar dos membros da família, vizinhos e conhecidos se pode admitir alguma inclinação para o anonimato, evitando inibir outros que queiram matar alguém dentro do mesmo círculo de relacionamentos, já na morte pela mão do Estado se exige publicidade. Olhamos para a arte da guerra com os mesmos óculos destinados a observar um evento desportivo: queremos saber quem mata quem, quando, quantos e como. No plano do direito internacional rendilhámos, desde o século XIX, com as Convenções da Haia e já a meio do século XX com as Convenções de Genebra, o detalhe da admissibilidade dos modos de matar seres humanos em contexto de guerra (incluindo os conflitos internos, vulgo guerras civis, por via dos Protocolos de 1977).

Esta regulação da morte está a ser posta em causa pelas diversas revoluções tecnológicas recentes. A militarização das tecnologias da informação permite, por via da ciberguerra, atingir resultados semelhantes aos de uma agressão armada: paralisia ou destruição das redes de........

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