Viajar para sentir ou para acumular |
Recordo-me, numa viagem de amigos, há uns anos, sentir a sofreguidão com que queriam ir a todo o lado ao mesmo tempo. De aproveitar aqueles poucos dias para picar todos os pontos de suposto interesse ou de relevância turística, como se aquele passeio fosse guiado por uma checklist em que pouco ou nada interessava estar mas sim dizer-se que se foi. A ideia deles, que chocou na altura com a minha, era a de acumular o máximo possível, sem que desse tempo para usufruirmos verdadeiramente dos espaços que visitávamos, numa corrida exasperante. Levavam no bolso do casaco uma lista de atrações e queriam à força percorrê-las todas, ao que eu fui acedendo para não entrar em conflito com ninguém. Saíamos do hotel e chegávamos a um sítio, passados 5 ou 10 minutos, arrancavam para outro e depois outro... Quando eu parava um bocadinho para absorver as energias de cada momento, era automaticamente abanado por uma pressa constante em picar o ponto, sem oportunidade para olhar à volta, viver o tempo certo ou experimentar os locais de uma forma calma e tranquila.
Nessa altura, no regresso a casa, pensei bastante sobre o assunto. A urgência de........