O amanhã que não deve esperar
Esta semana, um amigo confidenciava-me que tinha um livro guardado em casa para oferecer a uma pessoa há mais de um ano. Acontece que no espaço de um ano essa mesma pessoa foi diagnosticada com demência, largou a leitura de que tanto gostava e essa mesma oferta passou de especial para não fazer nenhum sentido. Nós, no decorrer das nossas vidas passamos por diversas situações deste género, em que falhamos os timings, erramos o tempo. E a vida é muito isso, uma cadência de ritmos e compassos, de sequências de comportamentos e atitudes. Gente que não se vê há muito e que se chateou por minudências. Que se gostam mas em que o orgulho fala mais alto, no momento em que pensam retificar apercebem-se que o outro já não está, partiu. Perdas irrevogáveis de relações porque duas pessoas não estavam na mesma fase, ao mesmo tempo. Provavelmente tinham tudo para dar certo mas não se encontraram por instantes na mesma estação.
Há sempre a tendência para acreditarmos que tudo se resolve e que não nos faltará........
