Irão: a promessa traída |
Há cerca de cinquenta anos, o Irão era visto por muitos como um país em ascensão, um símbolo de modernidade no Médio Oriente. Era apelidado de “Pérola do Médio Oriente” e não por acaso: investimento, educação, diversidade cultural e uma sociedade em rápida transformação faziam acreditar que o futuro seria inevitavelmente melhor. Hoje, esse mesmo país é frequentemente associado à repressão, ao medo e à perda de liberdades fundamentais. O que aconteceu pelo caminho?
Durante as décadas de 1960 e 1970, sob o reinado de Mohammad Reza Pahlavi, o último Xá do Irão, o país viveu um período de reformas profundas conhecido como “Revolução Branca”. Tratou-se de um projeto ambicioso que procurava modernizar a economia, redistribuir terras, expandir a educação e integrar as mulheres de forma mais ativa na vida pública. Em 1963, as mulheres iranianas conquistaram o direito de voto, um marco histórico numa região marcada por fortes tradições conservadoras.
Nessa altura, o Irão urbano era um espaço de contrastes férteis. As universidades enchiam-se de jovens motivados, o debate intelectual florescia em cafés e........