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Um vazio de “passagem”

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05.04.2026

Os cristãos enquadram o sentido da ‘passagem’ – Páscoa – na inevitabilidade da própria vida. É necessariamente um caminho de interrogações, ritmado pela fé na ‘vida eterna’. Este mais além, pelo qual se deposita, ou devia depositar, todo um empenho ético no presente, tem nas narrativas bíblicas uma identidade, uma ‘pessoa’ que, apresentado como Deus feito Homem, rasga o ceticismo com uma nova expectativa: a redenção é maior do que a morte. O drama impacta a razão e a emoção, molda histórias individuais e construções solidárias. 

Aquilo a que as primeiras comunidades cristãs, na leitura de uma profecia, chamaram ‘ressurreição’, conta-se também no espantoso diálogo do episódio bíblico de Emaús, como narrativa de uma escuta que transforma e devolve a confiança aos seguidores de Jesus de Nazaré, tomados pelo paradigma de um ‘amor’ incondicional, partilhado. Mas, na........

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