Amarelo |
Confesso que gosto de amarelo. Cor mal-amada, eu sei; de sentimentos mistos. É o Sol – o celestial girassol, como disse o poeta –, é o ouro, é o trigo. Evoca luz, calor, energia, espiritualidade, e vitalidade, mas também cautela, febre, mal-estar, rosto sem viço. O amarelo ilumina, mas inquieta; prende o olhar, mas não grita como o vermelho; previne com uma força quase instintiva. Em várias tradições ocidentais, é a cor da inveja, do ciúme, da falsidade, da traição e da cobardia. Quando pálido ou baço, sugere melancolia e esgotamento.
Nome de rio e de mar, na China; de serra e de casa onde a razão se extravia, em Portugal; da imprensa sensacionalista e de um célebre submarino, o amarelo oscila entre fulgor e sombra. Na linguagem, também vive de contrastes: dizemos «sorriso amarelo», quando a boca sorri e o rosto não acompanha. No quotidiano, divide-se entre o triunfo e o prosaico: está na camisola e na medalha do vencedor, no semáforo e no cartão de advertência. Estava também nas Páginas Amarelas.
Em criança, ouvi dizer que era a ‘cor de burro quando foge’.........