Um dos piores defeitos portugueses |
Choca-nos ouvir Trump dizer «queremos também o petróleo», «ou nós, ou os chineses e os russos». Este tipo de discurso direto sem adjetivos nem retórica vazia, incomoda-nos porque não estamos habituados. Esqueçamos a ideologia. O que aqui se revela é uma forma de dizer que expõe sem filtros aquilo que, entre nós, costuma ser cuidadosamente ocultado sob camadas de linguagem respeitável.
Um dos traços mentais portugueses mais atávicos é precisamente a verborreia, a pomposidade vazia, o resíduo barroco que persiste no plano verbal e mental. Falamos muito para ocultar o que queremos de facto dizer e alcançar. Veja-se uma tomada de posse, um discurso político de agradecimento, um pedido formal. A palavra serve menos para comunicar do que para envolver, proteger e adiar. José Cardoso Pires e Onésimo Teotónio de Almeida identificaram este vício com notável lucidez.
O barroquismo do discurso português não é um........