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A Semana (de 23 a 28 de janeiro)

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02.02.2026

Sexta, 23

Cimeira entre Meloni e Merz em Roma

Meloni e o Governo italiano receberam em Roma Merz e o Governo alemão. Merz quer fazer mudanças na União Europeia e percebeu que a melhor aliada, neste momento, é Meloni. A PM italiana sabe que uma relação próxima com a Alemanha marca o regresso de Itália à liderança da União Europeia. Esta aproximação aconteceu, em grande medida, como resultado da fraqueza da França.

A França atravessa o momento político mais penoso desde que a União Europeia foi fundada em 1957 (e a IV República caíu em França). Internamente, o país está ingovernável. O Governo não conseguiu construir uma maioria parlamentar para aprovar o orçamento deste ano, e só passou com o recurso às competências especiais do Executivo que permitem aprovar a lei orçamental sem ser votada pelos deputados. Eis um conceito estranho de democracia. Alguém imagina a aprovação de um orçamento em Portugal sem o voto no Parlamento? Macron é o Presidente menos popular da história da V República (ainda mais do que Hollande, o que parecia impossível há nove anos).

O impasse político francês tem consequências negativas para a sua política europeia. Neste momento, a França transformou-se numa força de bloqueio na União Europeia. A oposição, e o voto contra no Conselho, ao acordo comercial com o Mercosul evidenciam a fraqueza francesa: Macron e o Governo estão reféns dos agricultores franceses, um sector que vale 2% do PIB nacional. Foi o acontecimento decisivo para Merz perceber que não conta com Macron. Terá que esperar por um novo Presidente, eleito em Abril do próximo ano. Virou-se assim para Meloni. E, após a reunião de Roma, os dois apelaram à aplicação provisória do acordo comercial com o Mercosul até o Parlamento Europeu o aprovar (ou não).

Os Governos alemão e italiano também apresentaram um documento escrito com propostas para aprofundar o mercado único, para travar a regulamentação económica, e o reforço da defesa........

© SOL