A irresponsabilidade dos líderes políticos europeus

Acabei as férias esta semana e não tive tempo para escrever um diário. Por isso, vou escrever um pequeno ensaio sobre um tema que muito me preocupa: o futuro da Europa. Grande parte do meu tempo é dedicado a trabalhar sobre a política e a economia europeias. Nas férias, podemos descansar, mas as preocupações intelectuais e profissionais não desaparecem. Por vezes, a distância em relação aos compromissos profissionais diários permite uma lucidez acrescida. E as boas leituras reforçam a lucidez. Pensei muito sobre que Europa as nossas gerações vão deixar aos nossos filhos. A minha conclusão é muito simples, e igualmente deprimente: os líderes políticos europeus das últimas três décadas fracassaram e deixaram uma herança terrível.

1. Irresponsabilidade em relação à Rússia

Putin governa na Rússia desde 1999, como primeiro-ministro desde Agosto, e como Presidente desde Dezembro. Nos primeiros anos, a ilusão sobre Putin foi natural e aceitável. Mas a partir de certa altura, a passividade europeia perante Putin e o crescimento da ameaça russa é imperdoável. Em 2008, a Rússia invadiu a Geórgia, e ainda hoje ocupa parte do território. Entre 2008 e 2012, a Rússia viveu uma fraude política, com Medvedev a ocupar a presidência para Putin regressar ao Kremlin sem violar a Constituição. Em 2014, a Rússia ocupou e anexou a Crimeia. Em 2014, forças russas atacaram o Dombass, cuja guerra continua até hoje. Entre 2014 e 2022, os líderes alemão e francês mediaram negociações para acabar com a guerra no Donbass e foram enganados por Putin o tempo todo. A última reunião foi a 10 de Fevereiro de 2022, 14 dias antes da invasão da Ucrânia, quando Putin já tinha decidido iniciar a guerra.

Entre 2008 e 2022, Putin atacou três vizinhos e começou três guerras. Nada disso foi suficiente para os europeus mudarem a política em relação à Rússia. Pelo contrário, continuaram a reforçar as relações económicas bilaterais, nomeadamente no sector da energia. O que se chama a........

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