As palavras que ferem precedem os golpes que matam |
Embora acostumada ao ar viciado de uma época onde a radicalização medíocre e a violência se tornaram banais, a França está mergulhada num novo turbilhão político, porque a realidade niilista deixou o espaço virtual e o campo semântico e desceu à rua, matando.
Após o linchamento do jovem nacionalista de 23 anos Quentin Deranque, levantaram-se vozes para denunciar o tom violento, odioso e antissemita, de muitos discursos do partido de extrema-esquerda La France Insoumise (LFI). Discute-se mesmo a criação de um cordão sanitário em torno dos radicais de esquerda.
Questionado sobre o alegado envolvimento da La Jeune Garde, movimento ‘antifascista’ criado pelo deputado Raphaël Arnault, Jean-Luc Mélenchon procura defender-se com a sua arma favorita: a inversão da vítima. Desde o fim de semana que a LFI aponta o coletivo Némesis, «culpado» – grupo feminista de direita – por ter exibido uma faixa contra a vinda da eurodeputada Rima Hassan à Sciences Po Lyon, e «a polícia que não teria intervindo?» – essa polícia que, segundo eles, «mata». E quem ousa pedir contas........