A alma restauradora
Em A Rebelião das Massas, Ortega y Gasset assumia como verdadeira a proposição de que as revoluções não duram mais do que quinze anos, o «período que coincide com a vigência de uma geração». Na respectiva nota de rodapé clarifica o seu raciocínio, valendo por isso a pena citá-la na íntegra: «uma geração actua cerca de trinta anos. Mas esta actuação divide-se em duas etapas e assume duas formas: durante a primeira metade - aproximadamente - desse período, a nova geração faz a propaganda das suas ideias, preferências e gostos, que, ao fim, adquirem vigência e passam a ser o dominante na segunda metade da sua carreira. Mas a geração educada sob o seu império traz já outras ideias, preferências e gostos, que começa a injectar no ar público. Quando as ideias, preferências e gostos da geração imperante são extremistas, e por isso revolucionários, a nova geração é antiextremista e antirrevolucionária, isto é, de alma substancialmente restauradora».
A julgar pelas tendências recentes, não será fácil discordar da avaliação histórica e temporal que o filósofo espanhol faz dos ímpetos revolucionários. Pelo contrário, acontece que estou profundamente de acordo. Com um palpável........
