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O Matuto e os Bigodes

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28.09.2026

O Matuto emergiu da casa de banho de barba aparada. Dona Sirlei – a gentil esposa do Matuto – exclamou:

— Vais deixar crescer o bigode!?

O Matuto ficou assarapantado. Bigode! Correu para o espelho. Realmente, tinha aparado a barba rente à pele. O bigode, entretanto, passara quase ileso e apresentava-se ao mundo farfalhudo e altaneiro.

Aí o Matuto ponderou no espanto de Dona Sirlei: havia ali uma discriminação miserável e infame contra os bigodes! E, convenhamos, é só entrar nessas barbearias gourmet que logo um patrão calvo ou um imberbe empregado dispara: “barba ou cabelo?” Nenhum barbeiro dá atenção ao bigode. Daí chamar-se ‘barbeiro’ e não ‘bigodeiro’. Questão etimológica.

Foi então que o Matuto percebeu a verdadeira dimensão da injustiça. O bigode fora abandonado pela civilização. Tratado como parente pobre da barba, escondido debaixo do nariz e condenado a uma existência precária. O Matuto, que nunca teve vocação para assistir impávido a uma injustiça,........

© SOL