O Matuto e o Chorinho (2)

matuto = diz-se de quem vive no mato e a quem falta traquejo social; caipira; matreiro.

O verbo matutar, significa meditar ou ponderar.

O Matuto gosta de música. O calor sobe pachorrento na ‘Casa das Pontes’. Numa noite de Maio, a conversa vai alta, Bill – a visita liberal das ‘Pontes’ - e Marcello – a visita reaccionária das ‘Pontes’ - esclarecem gostos melómanos. Foi o Bill que levantou a lebre: “o Jazz é a arte musical mais nobre de todas”. É facto que o Bill, foi funcionário público nas prisões de Sua Majestade Isabel II. Também é facto, ter feito fortuna em aplicações de Fundos de Investimento meio manhosas. Fora estes savoir-faire, meio obscuros, não se lhe conhecem aptidões musicais. Por isso esta declaração definitiva é recebida com alguma parcimónia. “Qué isso mermão! E o Chorinho é o Jazz do Brasil” – contrapõe Marcello, o Carioca, para os habitués das ‘Pontes’. “Bullshit” – rasga o verbo o súbdito de Sua Majestade. A discussão estava lançada. Mas, adiante! Fica aqui registado ter sido este o momento do primeiro contacto do Matuto com o Chorinho - género musical Brasileiro que surgiu no Rio de Janeiro, por volta de 1870. Na ‘Casa das Pontes’, o bate-papo segue jovial e animado. Lá fora, a chuva bate tépida e honesta contra as vidraças. Na grafonola, Lobão canta:

Chove lá fora
E aqui 'tá tanto frio
Me dá vontade de saber
Aonde está você?
Me telefona
Me chama, me chama, me chama.

“Tem virada cultural, neste........

© SOL