O Matuto e o Café |
O Matuto gosta imenso de café. Não é amor espiritual — é necessidade fisiológica com verniz cultural. Embora a planta tenha origem africana (a lenda do pastor e das suas cabras eléctricas continua deliciosa), foi no Iémen que começou a ser cultivada. Chamavam-lhe Kaweh, isto é, “força”. O Matuto confirma. Qualquer português que vampirescamente suga a sua bica matinal sabe que há ali uma força que ressuscita mortos de segunda-feira.
Na ‘Casa das Pontes’ o café não se bebe: administra-se. A primeira chávena impõe silêncio respeitoso; a segunda devolve a fala; a terceira produz convicções filosóficas.
O Matuto acha curiosa a Cantata do Café (BWV 211), composta por Johann Sebastian Bach por volta de 1733. Nessa pequena opereta satírica um pai conservador tenta arrancar a filha, Lieschen, do vício escuro. Ele ameaça, proíbe, moraliza. Ela responde com........