O Matuto e a Vida de Cão

O Matuto nunca teve um animal de estimação. Um ‘pet’, como se diz agora. Nem cão, nem gato, nem passarinho, nem tartaruga... Houve apenas um lamentável episódio com um peixinho dourado que, ainda Matutinho, trouxe para casa num saco de plástico. Após ser transferido para um copo, o laborioso peixinho andou em círculos solitários durante uns dias e finou-se. Existe a suspeita de que a vida inteira do bichinho coubera naquele copo e que ele simplesmente esgotara o assunto. Deve ter morrido de excesso de introspecção.

O Matuto concluiu que não tinha jeito para ser ‘pai’ de pets. E, na verdade, naquele tempo não era chique ser ‘pai’ ou ‘mãe’ ou ‘avó’ ou ‘tia’ dum cão (cachorro, no Brasil, por favor). Até existia a expressão “vida de cão”. Ironicamente, hoje quem tem “vida de cão” são os hominídeos, enquanto os nossos amigos de quatro patas desfrutam de regalias régias, como sonecas, massagens, alimentação gourmet e acompanhamento psicológico.

Uma amiga do Matuto revelou recentemente que está a pensar contratar uma ‘petsitter’. Atrapalhado, o........

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