Portugal, um problema difícil

Há um cartoon de João Abel Manta, feito durante o período quente do PREC, que apresenta um conjunto de figuras históricas internacionais – de Marx a Gandhi –, sentados numa sala de aula a tentarem compreender a complexidade de um país chamado Portugal. Apesar das diferenças de contexto, a perplexidade com que estes atores históricos olhavam para o país em 1975 manteve-se constante até aos dias de hoje. Portugal continua a ser ‘um problema difícil’.

Os 52 anos de democracia, é justo dizê-lo, trouxeram-nos, inegavelmente, muitos avanços. Quando repetimos que a democracia nos devolveu a liberdade, não temos, muitas vezes, consciência da dimensão destas palavras. Do quanto se construiu e do efeito verdadeiramente transformador que a educação, o Estado social e uma economia aberta ao mundo provocaram numa sociedade que viveu fechada e oprimida durante mais de 40 anos. Por mais críticas que possamos fazer ao Portugal de 2026 – e eu faço muitas –, nada justifica a nostalgia que alguns ainda sentem pelo antigo regime.

Uma das principais vantagens de uma democracia, quando comparada com uma ditadura, é a liberdade de mudar. De se regenerar para poder dar mais um passo em frente. Aprender com os erros e evoluir. Demora tempo, sabemos disso, mas essa mudança, esse abanar do........

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