O Caminho do PS: Transformar o Legado em Ação para o Futuro |
O Partido Socialista tem um importante desafio para os próximos tempos: a oportunidade de transformar o legado das suas governações num ponto de partida para a construção de um novo ciclo de políticas públicas que respondam ao país do presente e do futuro. A experiência dos últimos governos do PS, com avanços inegáveis, é essencial para construir uma visão estratégica e ter capacidade de reinvenção.
Integrar o balanço da governação socialista não se pode limitar a reivindicar obras feitas ou medidas aprovadas é, sobretudo, reconhecer que governar é um processo inacabado, contínuo, onde cada conquista abre espaço para propostas inovadoras capazes de responder às novas exigências da sociedade. Sim, estabilizámos e equilibrámos as contas públicas e reforçámos o Estado social; sim, aumentámos o salário mínimo e devolvemos rendimentos às pessoas; sim, investimos na escola pública, na ciência e na saúde; sim, investimos numa agenda de trabalho digno respeitador dos direitos dos trabalhadores. Apesar do muito que foi conquistado, há ainda muito para fazer, o país continua a debater-se com muitos desafios que exigem resposta e depara-se, neste momento, com a ameaça de retrocesso em áreas que são determinantes para o futuro do país.
Num tempo em que há uma crescente desconfiança nos partidos e nos políticos e uma fragmentação do eleitorado, não basta o legado do PS. É necessário reinventar a relação de confiança com a sociedade transformando a experiência em proposta de ação. A política não pode ser feita sobre as pessoas, mas com as pessoas. O PS deve renovar a sua prática de envolvimento democrático, prático e ativo dos cidadãos, para que todos se sintam construtores de um projeto de sociedade solidária e justa, que responda aos desafios e anseios das pessoas.
A social-democracia vive hoje um dilema global: como conciliar a defesa do estado social com os desafios da globalização, da transição climática, da revolução digital e das ameaças à segurança e paz no espaço europeu. O PS tem que voltar a liderar a resposta concreta às novas realidades de desigualdades, afirmando a justiça social com um estado social forte, na saúde, na educação, na habitação.
Num tempo em que a política se mistura com o entretenimento e a desinformação, a comunicação assume um papel central. O PS, com a sua experiência e capital político, deve comunicar com uma linguagem clara, próxima e mobilizadora. É crucial que as conquistas do passado sejam explicadas à luz das melhorias reais das condições de vida das pessoas, mas também que saiba reconhecer as limitações porque só assim se constrói a relação de confiança com os cidadãos.
Para mobilizar as pessoas é preciso uma renovação estratégica, proximidade social e inovação nas propostas políticas. Queremos projetar o Portugal de amanhã como um país que protege os seus cidadãos, que lidera na justiça climática e que não abdica dos seus valores humanistas perante a vertigem do populismo.
O próximo Congresso do Partido Socialista é um bom momento para este debate, para uma reflexão sobre o futuro e para construção de uma mensagem de esperança aos Portugueses. Saibamos aproveitá-lo.
Eurodeputada e Vice-Presidente do Grupo S&D