A regionalização não pode esperar muito mais |
As sucessivas tempestades que, nas últimas semanas, assolaram Portugal continental deixaram um rasto de destruição, prejuízos e, sobretudo, uma sensação de descoordenação. Municípios exaustos, serviços centrais sobrecarregados, respostas que estão a chegar tarde a territórios isolados. Perante a calamidade, tornou-se evidente aquilo que há décadas evitamos discutir com seriedade: falta-nos um nível intermédio de poder político, maior do que o municipal e mais próximo do terreno do que o Estado central.
A regionalização não é apenas um debate académico ou um capricho constitucional adiado. É uma necessidade prática. Quando ocorrem cheias, incêndios, deslizamentos de terras ou crises económicas localizadas, a escala municipal revela-se muitas vezes insuficiente. E o Estado central, por definição distante e burocratizado, não consegue responder com a agilidade que as circunstâncias exigem. Entre ambos existe um vazio.
Mas reduzir a regionalização à gestão de catástrofes seria um erro. O verdadeiro argumento a favor das regiões administrativas é o desenvolvimento. Portugal é um dos países mais centralizados da Europa. Lisboa concentra poder político, decisões estratégicas e recursos humanos qualificados. O resultado está à vista: litoral saturado, interior........