Por que estão em minoria as mulheres nas ciências, tecnologia, engenharias e matemáticas?
Por Rita Cadillon (*)
Há mulheres a menos nas Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemáticas, também conhecidas como STEM. E isto não é uma opinião, mas uma evidência, que os números internacionais, mas também os nacionais, espelham.
De acordo com as Nações Unidas, especificamente a UNESCO, as mulheres continuam sub-representadas na área das Tecnologias da Informação. À escala global perfazem apenas 35% das pessoas licenciadas nestas áreas, número que se tem mantido ao longo de dez anos. A consequência destes números é, logicamente, a manutenção de uma minoria nas carreiras profissionais.
Na Europa, o principal mercado onde competem as empresas e os profissionais portugueses, onde se inclui o nosso país, os números são ainda mais preocupantes: apenas 1 em cada 5 especialistas TIC são mulheres (Eurostat, 2023) e apenas 3 em cada 10 diplomados em cursos STEM são mulheres (Eurostat, 2022). Em Portugal, as raparigas perfazem apenas 20% da população estudantil STEM (Eurostat, 2025), ainda que este número tenha crescido mais de 25% em dez anos.
Perante estes dados, coloca-se a questão: o que afasta as jovens, estudantes e futuras profissionais destas áreas? Para a UNESCO são os estereótipos culturais que moldam a perceção destes domínios do conhecimento como menos criativos, menos atraentes, ou menos ajustados ao género feminino. E, por isso, instituiu o Dia Internacional das Raparigas nas Tecnologias da Informação e Comunicação (International Girls in ICT Day), este ano assinalado no dia 23 de abril.
Em Portugal, os estereótipos de género também exercem o seu efeito, como demonstrou o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, ao lançar, em 2025, o Programa Nacional “Raparigas nas áreas STEM” que visa, até 2030, formar 21 mil pessoas para a desconstrução de estereótipos, fomentar perfis de liderança em potência e incentivar a que as jovens mulheres abracem os domínios da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. O executivo apelou ao envolvimento de universidades, autarquias, empresas e organizações da sociedade civil e conquistou uma grande adesão nestes primeiros seis meses de desenvolvimento.
Enquanto empresa e player do mercado tecnológico, partilhamos a visão de que é necessário acelerar a adesão das raparigas às STEM, em especial às engenharias e tecnologias da informação, áreas que têm conduzido as principais transformações económicas das últimas décadas.
Temos procurado, à escala nacional e internacional, contribuir também para a adesão crescente de jovens e mulheres às tecnologias da informação. Na Cegid Academy, os cursos em especializações como a programação, a Inteligência Artificial Generativa ou o software de gestão têm proporcionado a muitas jovens perspetivas de carreira ligadas ao universo tecnológico. E ao nível das lideranças, a Cegid Gender Equality Network e o programa StepUP, têm procurado trabalhar a igualdade de género em ambiente corporativo e identificar, nos países em que temos presença, as futuras líderes que farão a diferença nos destinos da inovação tecnológica que preconizamos.
Porém, sabemos que, sem o contributo de todos, das PME às multinacionais, enquanto empregadoras, das famílias, enquanto educadoras e motivadoras, e das universidades enquanto formadoras, o avanço será sempre mais lento.
É necessário, por isso, um esforço comum na construção de um mundo e um mercado laboral onde ser mulher possa ser, de forma equitativa, sinónimo de profissionais e líderes onde a tecnologia, as engenharias, ciências e matemáticas constroem o futuro da nossa sociedade.
(*) Diretora de RH da Cegid em Portugal e África
