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A greve pode não ter sido geral, mas foi grave para o Governo

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05.06.2026

Entre a “esmagadora maioria de trabalhadores a trabalhar” e a “grande greve geral com grandes adesões em todos os setores” não há árbitro (nem mesmo um VAR) que consiga decidir e dar o golo vitorioso a uma das equipas. Os ‘jogos’ das greves costumam ser de ataque e contra-ataque, embates de números, com os governantes a tentarem desvalorizar os da participação (e, assim, dos impactos), enquanto os organizadores defendem a escala da paralisação (e de como esta reforça causas que levaram à convocatória). No meio-campo, outros agentes observam com calma, para verem em que baliza entram os golos e quem devem apoiar para partilhar os ganhos.

A greve geral desta quarta-feira não foi exceção. Para a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, além da maioria dos portugueses ter optado por trabalhar, no setor privado a adesão foi mesmo “absolutamente residual e em algumas áreas mesmo nula”. No campo contrário, Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP – a central sindical que convocou a greve – acenava com nomes de grandes empresas nas quais a adesão chegava aos 100%.

Na impossibilidade de fact check, para já, os números declarados por governantes e sindicalistas no próprio dia, a avaliação de quem ganhou ou perdeu com a greve tem de ser feita num espetro mais alargado, mais especificamente no impacto que pode ter no campeonato da reforma laboral, que começou em julho do ano passado e que ainda tem de ir ao Parlamento e depois a Belém. Nessa liga jogam não só o Governo e a CGTP, mas também a UGT, os parceiros sociais e os partidos da oposição. Vamos à análise de quem pontuou e de quem ficou em branco na jornada da greve geral esta quarta-feira.

“Qualquer greve geral é grave”, disse Palma Ramalho, em conferência de imprensa. A admissão foi feita no fim de uma explicação sobre a pouca adesão no setor privado “que é o setor ao qual se vai aplicar esta legislação”. Para a ministra, os trabalhadores do privado “não queriam esta greve”. O comentário sobre a gravidade da greve representou também uma culpabilização da CGTP pelo impacto nas vidas de todas as pessoas “as que querem fazer greve e as querem ir trabalhar, que querem levar os filhos à escola e esta pode estar fechada, não têm um transporte para ir trabalhar, ir a uma consulta médica e como não é um........

© Sapo