Mercado Imobiliário em 2025: o desfasamento entre economia e preços |
Em 2025, a economia portuguesa e o seu mercado imobiliário contaram histórias diferentes. Enquanto a economia teve um desempenho robusto, mas moderado – com uma projeção de crescimento do PIB de 1,9% em 2025 segundo o Banco de Portugal, ligeiramente acima da média da área do euro de 1,2% projetada pelo BCE –, o mercado imobiliário português entrou numa dinâmica própria, claramente desalinhada da criação de riqueza agregada. Esta dissonância é o fenómeno mais complexo e potencialmente arriscado do panorama económico português atual, e a sua dimensão tornou-se incontornável em 2025.
Os números são eloquentes. No segundo trimestre de 2025, o Índice de Preços da Habitação (IPHab) registou uma variação homóloga de 17,2%, o valor mais elevado da série histórica disponível, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Este aumento foi mais acentuado nas habitações existentes, com uma variação de 18,3%, face a 14,5% nas habitações novas. A variação média anual atingiu 13,8%, também um máximo histórico. Simultaneamente, entre abril e junho foram vendidas 42.889 habitações, mais 15,5% do que no mesmo período de 2024, com o valor transacionado a crescer 30,4% para 10.300 milhões de euros, segundo a mesma fonte. O montante médio transacionado aproximou-se de 239 mil euros, igualmente no máximo da série.
Este crescimento explosivo dos preços dos ativos imobiliários contrasta de forma gritante com o crescimento moderado da economia real que os deveria suportar. Trata-se de um mercado imobiliário português claramente mais pressionado do que a média europeia, num contexto em que o país cresce apenas ligeiramente acima dos seus pares. A avaliação bancária acompanhou esta trajetória: em setembro de 2025, o valor médio da avaliação bancária atingiu 1.995 euros por metro quadrado, um novo máximo histórico, segundo dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Os apartamentos chegaram a 2.269 euros por metro quadrado e as........