2025 – 2026: da emergência à inteligência financeira

Se tivéssemos de escolher uma única frase para caracterizar a transição que o mercado de crédito português atravessou em 2025 e que se consolidará em 2026, seria esta: saímos da fase de choque e entrámos na fase da inteligência financeira. Esta mudança não é meramente semântica. Representa uma transformação profunda na natureza das decisões, no perfil dos riscos, no papel dos intervenientes e, sobretudo, nas competências exigidas a quem opera neste mercado. O ano de 2025 foi o ano em que o crédito deixou de ser uma corrida de emergência para voltar a ser uma maratona estratégica. E 2026 será o ano em que essa nova realidade se tornará definitivamente o padrão.

Os números confirmam esta narrativa de forma inequívoca. Depois de um período dominado pela subida rápida das taxas de juro – que atingiram picos acima de 4% em 2023 – e pela contração defensiva da procura, 2025 marcou a inversão da tendência. O montante de novos contratos de crédito à habitação, excluindo renegociações, cresceu mais de 30% em termos homólogos em setembro, atingindo 2.076 milhões de euros, segundo o Banco de Portugal. A taxa de juro média das novas operações estabilizou em 2,84% em setembro, um mínimo de dois anos, acompanhando a descida da Euribor a seis meses para valores próximos de 2%. O peso das renegociações – que em meados de 2023 ultrapassava 50% das operações, refletindo um mercado em modo de sobrevivência – caiu para 17,9% em setembro de 2025, o valor mais baixo dos últimos quatro meses.

Esta não é apenas recuperação quantitativa. É mudança qualitativa. As famílias voltaram a decidir entrar no mercado – compra de primeira casa, upgrade, investimento – em vez de apenas defender prestações existentes. A consolidação da taxa mista como regime dominante, pesando 70,6% das novas operações em setembro, materializa esta nova sofisticação: as famílias procuram agora equilíbrio inteligente entre segurança inicial e flexibilidade futura, em vez de simplesmente........

© Sapo