Uma passa, um desejo e um compromisso |
À meia-noite, como manda a tradição, comemos uma passa por cada badalada e fazemos desejos para o ano que começa. Uns pedem saúde, outros sorte, outros menos chatices. É um ritual individual, quase íntimo. Mas talvez estivesse na hora de Portugal também assumir os seus desejos, não como intenções vagas, mas como compromissos claros, mensuráveis e politicamente assumidos.
Se o País pudesse comer uma passa coletiva no início de 2026, um dos desejos teria de ser deixar de falar tanto de água, ou da sua falta. Não porque passará a chover mais, mas porque se iniciou de forma inequívoca a concretização da Estratégia “Água que Une”, apresentada em março de 2025.
A estratégia reconheceu aquilo que os números confirmam sem rodeios. Portugal é estruturalmente vulnerável à escassez hídrica. Os cenários climáticos apontam para menor precipitação média, maior irregularidade e mais eventos extremos. O problema não é novo. O que muda é a urgência. Já não estamos a falar de um risco futuro, mas de uma condição presente e permanente.
A boa notícia é que não nos falta água em termos absolutos. Falta-nos capacidade de a armazenar, gerir e usar de forma........