A sociedade na qual ninguém tem culpa

Habituámo-nos a olhar para fora. A avaliar tudo e todos. A identificar falhas, incoerências, injustiças. Tornámo-nos rápidos a diagnosticar o que não funciona, mas lentos a reconhecer onde falhamos.

Criou-se uma espécie de conforto estranho, o de viver permanentemente na posição de observador crítico. Aponta-se, comenta-se, reage-se. Mas assumir responsabilidade direta, essa parte fica sempre para depois.

No dia a dia, isso traduz-se em pequenas decisões que parecem irrelevantes, mas não são. O trabalho feito sem cuidado porque “ninguém valoriza”. O compromisso adiado porque “não faz diferença”. A palavra dada que se ajusta conforme a conveniência.

Nada disto faz manchetes. Mas é aqui que tudo começa.

Vê-se nas greves sucessivas onde, muitas vezes, a reivindicação é legítima, mas a........

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