A ilusão de que estamos sempre protegidos |
As tempestades que atravessaram Portugal nas últimas semanas não trouxeram apenas chuva, vento e cheias. Trouxeram uma pergunta incómoda, mas necessária, estamos preparados ou apenas habituados a reagir quando já é tarde?
No caso concreto da tempestade Kristin, importa dizê-lo com honestidade, não havia preparação possível que anulasse por completo os seus efeitos. A intensidade, a rapidez e a conjugação de fenómenos tornaram inevitáveis muitos dos danos registados. Reconhecer isto é essencial. Ainda assim, há outra verdade que não pode ser ignorada, se existisse uma cultura mais sólida de prevenção e responsabilidade cívica, o impacto humano e operacional poderia ter sido menor.
As autoridades atuaram, os avisos foram emitidos, os meios foram mobilizados. Bombeiros, forças de segurança, técnicos municipais e voluntários estiveram no terreno em condições difíceis. Mas nenhuma estrutura, por mais preparada que esteja, consegue responder plenamente se cada cidadão continuar a agir como mero espetador, à espera de ser protegido, em vez de assumir também o seu papel na proteção coletiva.
A proteção civil não........