A coragem de permanecer
Vivemos num tempo que nos ensina a reagir, mas raramente nos ensina a resistir.
Reagir é imediato. Resistir exige tempo. Reagir dá visibilidade. Resistir acontece quase sempre em silêncio. Não nasce de um momento de inspiração, mas de uma decisão repetida nos dias em que já não existe entusiasmo nem qualquer garantia de que as coisas vão melhorar.
A resistência emocional não é fingir que nada nos afeta. Não é ser imune à tristeza, ao medo ou ao cansaço. Também não é aceitar tudo de forma passiva, baixar a cabeça perante a injustiça ou permanecer em lugares que nos destroem. Resistir é atravessar uma circunstância difícil sem permitir que ela determine aquilo em que nos tornamos.
Saber esperar tornou-se quase um gesto de rebeldia.
Queremos respostas rápidas, mudanças imediatas e recompensas proporcionais ao esforço. Quando isso não acontece, começamos a duvidar das nossas decisões, das pessoas, das instituições e até do sentido da caminhada. No entanto, há processos que não podem ser acelerados sem serem destruídos.
Uma árvore não cresce por ser puxada. Uma família não se reconstrói através de discursos. Uma comunidade não se transforma com indignação momentânea. Um país........
