Um grito de Ipiranga no ar

Conta-se que Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil um pouco ao acaso e que uma rajada de vento o terá desviado da rota habitual mais próxima da costa africana. Ou talvez não tenha sido bem assim.

Em aviação também existe uma versão simplista da realidade... e existe a outra. A preponderância da TAP no tráfego Europa–Brasil via Lisboa resultou de uma sucessão de eventos casuísticos que a empresa soube aproveitar no momento certo: desde logo, a falência da companhia de bandeira VARIG, cuja equipa gestora assumiu o leme da TAP durante mais de uma década e, claro, o vazio deixado pela escassez de ligações aéreas diretas entre o Brasil e a Europa. Este desenvolvimento pode não ter sido um feito épico de navegação, mas foi, sem dúvida, um desvio de rota muito bem aproveitado.

Chegados ao momento da reprivatização minoritária da TAP, duas grandes “especialidades da casa” saltam à vista: em primeiro lugar, o facto de a TAP controlar cerca de metade da capacidade no dito “esgotado” aeroporto de Lisboa; em segundo, ser a companhia de referência entre o Brasil e........

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