A luz ao fundo do túnel de que os jovens precisam |
Em outubro de 2026, a Câmara Municipal da Maia divulgou um vídeo sobre a tunelização da Estrada Nacional 14, a estrada que liga o Porto a Braga e que há décadas corta ao meio o centro da cidade. A ideia explica-se em duas frases. Em baixo, um túnel com mais faixas para quem usa aquela via todos os dias. Em cima, mais de um quilómetro de parque urbano para quem vive na Maia.
É uma obra que ainda tem caminho a fazer até sair do papel, mas é uma obra estrutural e, na minha opinião, importante. Ao ver o vídeo, dei por mim a pensar menos na estrada e mais na expressão que todos usamos quando se fala de túneis: a luz ao fundo do túnel. E ficou-me uma pergunta. Pode uma obra destas dar esperança a uma geração inteira?
Falo da minha geração e da que vem a seguir. Somos a geração mais qualificada que o país já teve e, ao mesmo tempo, a primeira que acredita que vai viver pior do que os pais. Essa crença não nasce do nada. Nasce das contas que muitos de nós fazemos todos os meses.
Em 2025, os jovens portugueses saíram de casa dos pais, em média, aos 28,8 anos. A média europeia foi de 26,3, segundo o Eurostat. Não é falta de vontade de sair. No segundo trimestre de 2026, os preços das casas subiram 16,5% face ao ano anterior, diz o INE, e nenhum salário de início de carreira cresce a esse ritmo.
Depois há o trabalho. Em agosto de 2026, o desemprego jovem em Portugal estava nos 19,8%, contra 15,4% na União Europeia, num país em que o desemprego total ficou nos 5,7%. Muitos dos que não encontram cá o seu lugar vão procurá-lo lá fora. O........