Tudo o que fica depois do deserto |
Recentemente terminei a 40.ª edição da Marathon des Sables, no deserto do Saara, em Marrocos.
Mais do que uma corrida, esta é frequentemente descrita como uma das provas mais duras do mundo: cerca de 270 km distribuídos por seis dias, em regime de autossuficiência total, enfrentando temperaturas que oscilam entre os 40 °C durante o dia e valores próximos dos 0 °C durante a noite.
Foi, sem dúvida, a experiência mais intensa e exigente que alguma vez vivi, não apenas do ponto de vista físico, mas sobretudo emocional e psicológico.
Ainda estou a processar tudo o que aconteceu. O deserto tem essa particularidade: obriga-nos a abrandar, a sentir e, muitas vezes, a adiar a compreensão do que realmente vivemos. Mas há algo que já é claro para mim: tudo passa. E, no fim, o que fica não é apenas o esforço, mas aquilo que levamos connosco dessa experiência.
A dureza da prova não se explica por um único fator.........