A qualidade tem preço. A falta dela tem fatura
Há uma pergunta que surge inevitavelmente sempre que se fala em investir na saúde: quanto custa garantir qualidade?
Custa investir em sistemas de rastreabilidade. Custa formar equipas em cultura de segurança. Custa auditar processos, documentar circuitos e testar sistemas de informação antes de os colocar em funcionamento.
É uma pergunta legítima, sobretudo num sistema com as restrições orçamentais que o SNS conhece bem. Mas talvez seja uma pergunta incompleta. Porque há outra que raramente fazemos: quanto custa não ter tudo isto?
As últimas semanas dão-nos alguns exemplos concretos.
Em agosto, os tempos de espera nas urgências para doentes triados como urgentes ultrapassaram as sete horas em vários hospitais e chegaram a mais de onze horas no Hospital do Barreiro. Tempos muito superiores aos sessenta minutos considerados aceitáveis.
Mas talvez o mais revelador não tenha sido apenas a dimensão da espera.
Num determinado dia, o próprio Portal do SNS apresentou tempos de espera incorretos nas urgências de Faro e Portimão, obrigando a Unidade Local de Saúde do Algarve a esclarecer publicamente que os dados divulgados não correspondiam à realidade.
E aqui está um problema fundamental: como podemos gerir aquilo que não conseguimos medir corretamente?
Quando o próprio sistema que deveria permitir acompanhar a situação........
