Entre Festas |
Querida avó,
Chegado o fim do Natal, é tempo de fazer o balanço – não o financeiro, porque esse dói – emocional, gastronómico e “ligeiramente” etílico da época.
Comecemos pela comida. No Natal come-se como se o apocalipse estivesse marcado para dia 26. Bacalhau (antigamente chamado de “peixe dos pobres” e que, hoje, praticamente, temos de vender um rim, para pôr um miserável bacalhau na mesa) polvo, peru, rabanadas, sonhos, azevias, bolo-rei, bolo-rainha, bolo-qualquer-coisa, este ano até criaram o bolo-princesa (opção vegan) para se juntar ao reino dos bolos. Há sempre alguém que diz: «Prova só um bocadinho», e esse bocadinho tem o tamanho de um bloco de cimento. O prato nunca está vazio, apenas “temporariamente ocupado”. E, mesmo quando já não cabe mais nada, há sempre espaço para sobremesa, porque o estômago natalício funciona com leis próprias da física.
Quanto às bebidas, o Natal é aquela altura em que o vinho aparece “só........