Rui Borges: notas de liderança |
A eliminatória deixa várias notas sobre liderança. Primeira: no fim do jogo na Noruega, perante os protestos, acompanhados de palavras muito injustas para esta equipa, Nuno Santos foi perto dos adeptos com gestos de que era preciso manter a calma. Tinha razão. Chapeau.
Sobre Rui Borges, não havendo sportinguista que o desrespeite, a escassez de vitórias sobre os adversários nacionais diretos começava a corroer a confiança ou, em linguagem da teoria de liderança, a reduzir os seus créditos idiossincráticos. Com esta vitória, o mister recuperou créditos. Mas os resultados ditarão as contas futuras – no futebol como no resto. Ele ser de Mirandela ou de outro lado qualquer é irrelevante e só interessa aos pedantes. O que os sportinguistas querem é vitórias…
O sucedido revela um ponto que o meu eu-académico compreende melhor que o meu eu-adepto: a liderança aprende-se e Borges está a aprender a liderar a este nível – como, a outro nível, aconteceu com o presidente do clube e como, de resto, nos acontece a todos nas nossas vidas profissionais. Precisamos de aceitar que aprender consome tempo e implica erros. Sejamos pacientes. Mas o jogo também revelou uma área em que, modestamente, creio que o treinador tem algo a aprender: sendo ele um homem humilde – o que é uma grande virtude – não precisava de dizer o que disse (“Continuem a dizer que o treinador é fraco”). Há momentos em que a maneira de falar mais alto é não dizer nada.