Os dias nunca são fáceis para o liberalismo |
Os dias nunca são fáceis para o liberalismo, não porque esteja necessariamente a falhar mas porque não promete aquilo que a política, de forma simplista, tende a prometer: soluções fáceis para problemas complexos, muitos deles impossíveis de eliminar. O liberalismo prefere o equilíbrio imperfeito à venda de sociedades quiméricas.
Em tempos de prosperidade, é acusado de favorecer os mais fortes; em tempos de crise, de ser insuficiente; em períodos de mudança, de ser destrutivo; sob tensão social, de ser indiferente. Ainda assim, atravessou gerações, enfrentou regimes e ciclos históricos e, apesar das suas imperfeições, continua a ser o mais durável dos modelos imperfeitos.
Quando a economia cresce, a crítica surge quase por reflexo. O liberalismo, diz-se, cria riqueza, mas distribui-a mal. Os mercados livres seriam fonte de desigualdade, concentração de poder e exclusão dos que não acompanham o ritmo. Trata-se de uma crítica politicamente apelativa e emocionalmente eficaz, mas que ignora um ponto essencial: sem capacidade de produzir, nada se redistribui.
A experiência histórica mostra que modelos que rejeitam mercados livres tendem a gerar monopólios, círculos fechados de privilégio e fenómenos recorrentes de corrupção. O liberalismo não elimina desigualdades, nem promete fazê-lo; permite, isso sim, prosperidade........