O impasse português: mais um ano que termina, um país por começar |
Portugal termina mais um ano sem surpresa. Não porque nada tenha acontecido, mas porque o essencial permaneceu inalterado. O país mudou pouco naquilo que verdadeiramente determina a sua trajetória de médio e longo prazo. E essa constatação, longe de ser neutra, é talvez o dado mais relevante de qualquer balanço sério.
Há décadas que Portugal conhece as suas limitações estruturais. Conhece-as com rigor estatístico, com relatórios, com comparações internacionais. Sabe que cresce pouco e de forma pouco sofisticada. Que cria valor abaixo do seu potencial. Que envelhece rapidamente e perde capital humano qualificado. Sabe que o Estado é lento onde deveria ser ágil e excessivamente normativo onde deveria ser estratégico. Este conhecimento não é novo, nem controverso. Está adquirido.
O défice não é informativo, é orientacional: sabemos muito, mas decidimos pouco sobre como esse conhecimento deve organizar o futuro comum.
Não se trata de erro pontual nem de falha conjuntural. Trata-se de um padrão. Portugal vive há demasiado tempo num estado intermédio: um país que funciona, mas que raramente se transforma. As instituições mantêm-se operacionais, os serviços resistem, a economia........