Um tempero patriótico |
Já imaginaram o que seria da culinária nacional sem o alho? Imaginem umas amêijoas à Bulhão Pato sem alho. Ou um bife à portuguesa que não conte com ele. Ou a maravilhosa sopa de beldroegas, que na sua ausência fica deslavada. E já nem falo do bacalhau seu fidelíssimo companheiro por esse país fora, como Quim Barreiros não se cansa de proclamar — mostrando aliás de forma exemplar a musicalidade do alho.
Maria de Lourdes Modesto, a grande senhora da gastronomia portuguesa, explicava de forma cristalina a importância do alho na cozinha do seu Alentejo-natal e a sua receita de açorda é prova da importância que ela lhe atribuía.
Mas, afinal o que é o alho? Segundo a Wikipedia, “o alho, de seu nome original Allium sativum, é um bolbo comestível da família Amaryllidaceae, amplamente usado na culinária mundial como tempero e conhecido pelas suas propriedades medicinais. Originário da Ásia Central, é valorizado pelo seu forte aroma, sabor intenso e composto ativo alicina, que oferece benefícios antioxidantes e antibacterianos”.
A sua utilização pode ser feita de muitas maneiras — esmagado, picado, laminado, moído em pó ou com os gomos inteiros a soltar aroma. Digo gomos, mas há quem lhes chame dentes — e há mesmo quem o morda por puro prazer gustativo. Claro que também há quem não suporte o seu aroma ou o seu odor e existe um certo consenso em evitar beijos aprofundados em que o sabor dominante seja o do alho. Guardemo-lo para outros temperos, eventualmente na companhia dos seus fiéis parceiros que o acompanham em tantas receitas — os coentros e as folhas de louro.
Miguel Esteves Cardoso, numa das suas incursões gastronómicas, defendia a qualidade do alho nacional e desancava os alhos importados, que chegam ressequidos e que são os que abundam nos supermercados. Já o alho nacional, viçoso, é figura sempre orgulhosamente presente nos melhores mercados deste país.
O sensaborão alho importado é mais barato, mas este é daqueles casos em que vale a pena recordar o velho slogan: o que é nacional, é bom.
Estratégias de comunicação// Manuel Falcão escreve sempre à sexta-feira, no SAPO
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